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Na última quinta-feira, 4 de fevereiro, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido), ao lado do diretor da Anvisa, Antônio Barra Torres, tornou a defender em live, as recomendações que têm dado desde o início da pandemia para o uso de hidroxicloroquina no combate à Covid-19.

De acordo com o presidente, apesar de não haver comprovação científica da eficácia do fármaco contra a doença causada pelo coronavírus, ele estaria sendo “omisso” se não o recomendasse. “Pode ser que lá na frente se fale ‘a chance é zero, era um placebo’. Tudo bem. Paciência, me desculpe. Pelo menos não matei ninguém”, afirmou.

Durante a transmissão ao vivo, o presidente disparou contra o ex-ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, a quem se referiu como “garoto propaganda da Globo”, por contrariar o chamado “tratamento precoce” da Covid-19 admitido por Bolsonaro. O presumido tratamento, baseado na profilaxia com hidroxicloroquina e outros medicamentos, não é reconhecido pela ciência. 

A pergunta que eu faço: se não faz mal, por que não tomar?”, indagou.

Entretanto, Bolsonaro alegou conhecer 200 pessoas curadas da Covid-19 por causa da hidroxicloroquina.

 “No meu prédio mais de 200 pessoas pegaram Covid. Não sei se a maioria ou minoria, mas lá falava-se do tratamento e ninguém foi para o hospital”, contou. 

As declarações do presidente vieram no mesmo dia em que levantamento do Conselho Federal de Farmácia (CFF) mostrou uma disparada na compra de medicamentos sem eficácia comprovada contra Covid-19 em 2020 no Brasil.

À vista disso, o diretor da Anvisa, Antônio Barra Torres, presente na live, afirmou que a prescrição off-label é de inteira responsabilidade dos médicos e que não é responsabilidade da agência se debruçar sobre a questão. 

O presidente da república ainda criticou aqueles que são contrários à recomendação do remédio, ponderando  que, no futuro, eles poderiam ser “responsabilizados”. 

“Agora, se porventura, se mostrar eficácia na frente, você que criticou, parte da imprensa, vai ser responsabilizada. Pelo menos moralmente. E aí, vão continuar me chamando de genocida?”, ironizou.