Washington (AFP) – O governo dos EUA alertou nesta segunda-feira (20) sobre a ameaça de uma “crise financeira histórica” se democratas e republicanos não chegarem a um acordo no Congresso sobre o aumento do teto da dívida do país. A falta de entendimento impediria os Estados Unidos de honrar seus compromissos financeiros já em meados de outubro.A secretária do Tesouro, Janet Yellen, descreveu um panorama apocalíptico em coluna publicada no The Wall Street Journal sobre as consequências que derivariam de uma falta de acordo no Legislativo: as taxas de juros da dívida dos Estados Unidos disparariam, o mercado de ações cairia e dezenas de milhões de soldados e aposentados não teriam renda. Além disso, uma nova recessão pode ocorrer com milhões de empregos perdidos.Se o limite da dívida do Estado federal não for aumentado, poderá haver sérias consequências para a economia americana e também a mundial, que tenta se levantar do golpe da pandemia do coronavírus, alerta a secretária do Tesouro.Em agosto de 2019, o teto da dívida dos EUA foi suspenso graças a um acordo entre o então presidente Donald Trump e os democratas do Congresso. Mas um limite de 28,4 trilhões de dólares está em vigor desde 1º de agosto.No dia 8 de setembro, Yellen alertou que os Estados Unidos poderiam ficar sem recursos “durante o mês de outubro”.- Recorrente -A disputa é, no entanto, uma falsa batalha política entre democratas e republicanos. Embora o Congresso tenha a prerrogativa de aumentar esse limite de emissão de dívida, os democratas poderiam por conta própria aprovar um novo teto com seus votos.Desde a década de 1960, o problema é recorrente: esse teto da dívida foi aumentado ou suspenso 80 vezes. Apenas durante o mandato de Trump (2017-2021), ele foi suspenso três vezes pelo Congresso.Mas os republicanos se recusam a aprovar um novo aumento, insatisfeitos com os planos de investimento que o presidente Joe Biden está promovendo.Os democratas “querem que ajudemos a pavimentar o caminho para seu programa de destruição de empregos, ao qual nos opomos”, disse o chefe republicano do Senado, Mitch McConnell, na semana passada.- O fantasma do déficit -“O país não deve ficar inadimplente. O teto da dívida deve aumentar. Mas fazer isso é responsabilidade daqueles que o povo americano elegeu”, argumentou o próprio McConnell no site de notícias políticas Punchbowl News, sugerindo que os democratas terão que se defender para formar a maioria.Os democratas querem votos republicanos, mas estão prontos para votar para aumentar o teto da dívida usando um procedimento que lhes permite aprovar seus projetos de lei com sua maioria estreita no Congresso.”Demorar muito” para aumentar a capacidade de endividamento do país  “não é aceitável”, acrescentou Yellen. “Acabamos de sair da crise. Evitemos voltar a uma situação totalmente evitável”, concluiu o responsável.Os Estados Unidos nunca entraram em uma moratória, mas em 2011, quando Barack Obama era presidente, a estagnação no Congresso levou a agência de classificação Standard and Poor’s a retirar a classificação “AAA” da dívida dos EUA.Esse episódio “levou os Estados Unidos à beira da crise”, lembrou Yellen.