Foto: Reprodução

O Tribunal de Contas da União (TCU) afirma que relatório sobre suposta “supernotificação” de mortes por Covid não é um documento oficial, e sim análise pessoal de servidor. Bolsonaro admitiu o erro em relação ao tribunal nesta terça-feira (8).

O presidente Jair Bolsonaro citou o documento na segunda-feira (7) como se houvesse sido produzido pelo próprio TCU. A citação teve autoria negada pelo tribunal, e nesta terça, Bolsonaro admitiu ter errado na declaração.

Jair afirmou a apoiadores na segunda que tinha acesso a um relatório oficial do TCU que apontava “supernotificação” de óbitos, isto é, mortes atribuídas à Covid-19 tinham sido registradas de forma fraudulenta e incorreta.

Ainda na segunda, o TCU desmentiu o presidente. “O TCU esclarece que não há informações em relatórios do tribunal que apontem que ‘em torno de 50% dos óbitos por Covid no ano passado não foram por Covid’, conforme afirmação do Presidente Jair Bolsonaro”, afirmou o Tribunal.

O funcionário que fez o acréscimo nesta terça-feira (9), de que o documento citado pelo presidente é uma análise pessoal feita por um servidor, não foi identificado. Os detalhes da apuração interna que será realizada pelo TCU não foram divulgados. Ressaltou ainda que as informações que foram divulgadas no documento não possuem respaldo em nenhuma fiscalização do tribunal. Além disso, afirma que irá abrir um procedimento externo para investigar o caso.

“Será instaurado procedimento interno para apurar se houve alguma inadequação de conduta funcional no caso”, sintetiza o comunicado, sem maiores detalhes.

Insistência em questionamento por parte do presidente

Nesta manhã de terça-feira, Bolsonaro admitiu seu erro ao atribuir o relatório ao TCU. Entretanto, insistiu, sem apresentar comprovações, que existe uma “supernotificação” dos óbitos.

“A questão do equívoco, eu e o TCU de ontem. O TCU está certo. Eu errei quando falei sobre a tabela O certo é acordão”, afirmou o presidente, que citou dois documentos, de números “2817” e “2026”.

No acórdão 2817, há apenas um trecho que diz que a transferência de recursos vinculados à quantidade de mortes poderia ser incentivo para supernotificação. Jair também informou que os estados aumentaram os dados de óbitos “em busca de mais dinheiro”, o que, de acordo com ele, irá ser investigado pela Controladoria-Geral da União (CGU).