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Após EUA, Europa afunda na recessão provocada pelo coronavírus

Depois dos Estados Unidos, a Eurozona anunciou nesta sexta-feira (31) uma forte contração de sua economia (-12,1%) e a entrada em recessão, enquanto o coronavírus avança sem trégua na América Latina, onde o México superou o Reino Unido em número de mortos, e países como Vietnã ou Ilhas Fiji registraram suas primeiras vítimas fatais.

Diante de uma pandemia que parece impossível de conter e de um balanço humano cada vez mais grave, o Comitê de Emergência da Organização Mundial da Saúde (OMS) se reúne novamente nesta sexta-feira, seis meses depois de decretar o alerta mundial.

Os dados econômicos divulgados ao redor do planeta são devastadores. A zona do euro registrou no segundo trimestre uma queda histórica de 12,1% do Produto Interno Bruto (PIB), consequência das medidas de confinamento, anunciou nesta sexta-feira o Escritório Europeu de Estatísticas (Eurostat).

Alemanha e França, primeira e segunda maiores economias do bloco, sofreram quedas recorde – 10,4% e 13,8%, respectivamente – no segundo trimestre.

Na Espanha, a contração atingiu 18,5%, o que levou o país à recessão, após dois trimestres consecutivos de quedas do PIB. Um dos pilares da economia espanhola (12% do PIB), o turismo teve retrocesso de 60% em sua receita na comparação com o mesmo período de 2019.

Nos Estados Unidos, o confinamento provocou o colapso do PIB de 32,9% entre abril e junho. O segundo retrocesso trimestral também jogou a principal economia do mundo na recessão.

Grandes empresas em todo mundo anunciaram perdas bilionárias no segundo trimestre pela pandemia, incluindo a brasileira Petrobras, o grupo espanhol Telefónica e o conglomerado de capital belga e brasileiro AB InBev.

Ao mesmo tempo, o balanço humano é cada vez maior. O número de contágios no mundo supera 17 milhões, com quase 674.000 mortes desde o surgimento da doença na China no fim do ano passado.

Os dois países com o maior custo humano são Estados Unidos, com 152.070 mortos e mais de quatro milhões de infectados, e Brasil, com 91.263 vítimas fatais e mais de 2,5 milhões de casos.

Na Flórida, um dos estados americanos mais impactados atualmente pela epidemia, os habitantes também se preparam para chegada do furacão Isaías.

Vietnã e Ilhas Fiji anunciaram nesta sexta-feira a primeira morte provocada pelo coronavírus em seus territórios.

O Reino Unido, que registra 45.999 mortes por COVID-19 e 302.301 infectados, anunciou nesta sexta-feira o adiamento da nova fase da flexibilização do confinamento pelo aumento de casos.

A Alemanha adicionou as regiões espanholas de Aragão, Catalunha e Navarra, particularmente afetadas pelo coronavírus, a sua lista de destinos de alto risco. Isso implica apresentar um teste negativo, ou respeitar quarentena ao retornar destas áreas.

Hong Kong anunciou o adiamento das eleições legislativas, previstas para setembro, devido a novos focos do vírus.

Maior crise em 100 anos

A região da América Latina e Caribe, que tem o maior número de infecções no mundo, com 4.733.320 casos e 194.683 mortos, também enfrenta sua maior crise no último século.

O México registrou contração recorde de 17,3% no segundo trimestre.

O país se tornou o terceiro no mundo em número de vítimas fatais provocadas pelo coronavírus, com 46.000 óbitos.

O Brasil contabilizou quase 60.000 novos casos em apenas um dia. Há quase um mês, o país registra a média de mais de mil mortes a cada 24 horas.

Michelle Bolsonaro, esposa do presidente Jair Bolsonaro, testou positivo na quinta-feira, poucos dias depois de o chefe de Estado anunciar nas redes sociais que estava curado da doença.

O Peru, que enfrenta uma escassez de oxigênio para pacientes graves de COVID-19, registra mais de 19.000 mortes e 407.492 contagiados.

Os jovens “não são invencíveis”

“Parece que os surtos em alguns países são parcialmente causados por jovens que baixam a guarda durante o verão no hemisfério norte”, afirmou o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus.

“Os jovens não são invencíveis”, frisou.

Em suas recomendações atualizadas, a OMS destacou que a prioridade nas viagens internacionais deve ser restrita às emergências humanitárias, a funcionários indispensáveis e a repatriações.

Apesar das dificuldades, muitos países tentam salvar a economia. O Nepal reabriu nesta sexta-feira o acesso à sua área montanhosa, mais especificamente ao Everest, para expedições de fim de ano, com o objetivo de impulsionar o setor de turismo, muito afetado pela crise.

Na Arábia Saudita, os fiéis muçulmanos iniciaram o ritual do “apedrejamento de satã”, um dos últimos da grande peregrinação a Meca, que este ano foi drasticamente reduzida para evitar a propagação do vírus.

O esporte mundial também foi duramente atingido pela pandemia.

Os torneios de tênis ATP e WTA de Roma, que foram adiados para setembro, serão disputados sem a presença de torcedores, segundo a imprensa italiana.

A Fórmula 1 enfrenta o primeiro caso de coronavírus, a dois dias do GP de Silverstone, Reino Unido. O mexicano Sergio Pérez (Racing Point) testou positivo e não disputará a prova.

Nos Estados Unidos, a temporada da NBA recomeçou na quinta-feira após quatro meses de paralisação, com jogadores, técnicos e árbitros ajoelhados em sinal de protesto pelas injustiças raciais.

Foto: AFP

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Edinaele Santos

Jornalista e Produtora, 22. Além de registrar fatos, o jornalismo escreve histórias que serão contadas por gerações.

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