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Icapuí, reconhecido mundialmente por suas riquezas naturais, intensificou seu radar turístico após o lançamento do clipe da cantora estadunidense, Selena Gomez, com a música “Baila Conmigo”, ambientado no litoral da cidade. O aumento da demanda no turismo do município de Icapuí, tem preocupado especialistas e o setor público. 

A coordenadora de apoio a políticas públicas do Projeto Aves Migratórias do Nordeste, Gabriela Ramires, afirmou que uma exploração turística mais intensa no local pode ser prejudicial, porque a região é “muito frágil”. A pesquisadora explica que aves que chegam nas praias viajam mais de 32 mil quilômetros ao ano e acabam muito estressadas, necessitando de paz e descanso. 

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Contudo, a tarefa pode se tornar mais complicada com um intenso fluxo de pessoas, especialmente por causa dos carros que andam pela areia. Há possibilidade até que os veículos destruam os ninhos dos animais, que se camuflam no visual da praia. Esse é o caso da batuíra-bicuda, considerada vulnerável à extinção na Lista

“Icapuí é uma das áreas mais singulares do Estado do Ceará, é um verdadeiro berçário da vida marinha. Tudo isso é um verdadeiro patrimônio natural do Brasil, que é pouco conhecido e explorado. E ser explorado não ia ser tão bom para uma área tão frágil quanto essa”, destaca a pesquisadora.

Na manhã de ontem, 10 de fevereiro, durante uma reunião, a Prefeitura de Icapuí se encontrou com outros órgãos, como a Universidade Federal do Ceará (UFC) e a Fundação

Brasil Cidadão, para traçar um plano estratégico para o Município. Definiu-se a realização de campanha para reduzir a prática de descarte irregular de resíduos. Além disso, haverá ações de fiscalização e instalação de equipamentos informativos visando atingir não somente moradores locais, como também, veranistas que estejam frequentando a região.

Ramires ainda celebrou o interesse apresentado na preservação das riquezas naturais pela atual gestão municipal. Ela coloca em evidência que a intenção é fazer um turismo ecologicamente correto e socialmente sustentável, com geração de renda para a comunidade local. Como exemplo, a coordenadora citou o projeto já praticado no município chamado “Mulheres de Corpo e Alga”, em que a matéria-prima é retirada do ecossistema de forma totalmente sustentável.