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A exposição a um coquetel de agroquímicos aumenta nitidamente a mortalidade das abelhas, uma situação subestimada pelas autoridades encarregadas de regulamentar a comercialização desses produtos, segundo um estudo publicado nesta quarta-feira (4).

De acordo com a ONU, as abelhas polinizam 71 das 100 espécies cultivadas que proporcionam 90% dos alimentos do mundo. Nos últimos anos, o colapso das populações de insetos polinizadores, muito vulneráveis aos pesticidas, ameaça a produção agrícola.

O estudo, publicado na revista científica Nature, reúne dezenas de pesquisas divulgadas nos últimos 20 anos. É voltado para as interações entre os agroquímicos, os parasitas e a desnutrição que afetam o comportamento das abelhas.

Os pesquisadores concluíram que é provável que o efeito combinado de diferentes pesticidas e outros produtos químicos seja maior que a soma dos efeitos de cada um.

Essas “interações entre múltiplos agroquímicos aumentam significativamente a mortalidade das abelhas”, afirmou Harry Siviter, um dos autores do estudo, da Universidade do Texas.

“Os reguladores devem considerar as interações entre os agroquímicos e outros fatores ambientais estressantes antes de autorizarem seu uso”, disse Siviter à AFP.

Os resultados do estudo “mostram que o processo de regulamentação atual não protege as abelhas das consequências indesejáveis da exposição aos agroquímicos em diversos níveis”.

Sem mudanças, haverá um “declínio contínuo das abelhas e dos serviços de polinização que fornecem, em detrimento dos humanos e da saúde dos ecossistemas”, acrescentaram os pesquisadores.

Em 2019, os cientistas já alertaram que quase metade das espécies de insetos do mundo está em perigo e um terço poderia ficar extinto até o fim do século.