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Durante o ano de 1971, o rock estava crescendo. Terminou uma década, os Anos 60,  com Love Me Do, de The Beatles, que inseriu a Grã-Bretanha nos dançantes anos sessenta e ajudou a aumentar a obsessão mundial pelo quarteto de Liverpool e terminou com o pesadelo do festival de Altamont.

Os Beatles, o famoso grupo que irradiava alegria e boas vibrações, desabou entre censuras e situações desagradáveis. Era célere a necessidade de inovação. E assim foi feito. Alguns músicos provaram que tinham o que contar: eles não eram mais aqueles jovens que conseguiam dinheiro com melodias agradáveis. Os mesmos padeceram no desgosto, ergueram uma consciência social comprometida, aprenderam a tocar e a cantar, alguns já tinham até muitos milhões na conta… E as drogas, lógico, as mesmas que mataram Jimi Hendrix, Janis Joplin, Brian Jones..

Foi então 1971, que ofereceu uma colheita de discos memoráveis. Confira abaixo: 

  • Chico Buarque, Construção

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No início da década de 70, Chico Buarque tinha 27 anos e estava em situação de exílio na Itália (trabalhando com Ennio Morricone, entre outros) e estava preparado para retornar ao Brasil e enfrentar o desafio de contornar com sua arte a censura da ditadura brasileira.

O disco Construção, musicalmente é uma demonstração de toda a riqueza da música popular brasileira: samba, bossa nova, tropicalismo.  É uma obra apaixonante, cheia de duplos sentidos, mensagens nas entrelinhas, versos com recados, acenos intelectuais… É um disco que a censura engoliu: nada mais é do que a luta pela liberdade, contra a ditadura e em defesa da classe trabalhadora. Dificilmente uma música tão ensolarada teve uma mensagem tão revolucionária.

  • Led Zeppelin, IV

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Quatro músicos colocando seu talento a serviço de um só objetivo: tornar-se a maior banda de rock pesado da história.

Esse disco é chamado de IV, mas a realidade é que ele não tem um nome. É a dedução lógica depois das edições de I, II e III, este último um álbum inclinado ao folk que decepcionou os fãs do grupo. Eles se reconciliaram com este trabalho, que ficará para a história por abranger um pouco de Stairway to Heaven, mas que é muito mais Black Dog, Rock and Roll, When the Leave Breaks. Dinamismo, experimentação e lealdade a seu adorado blues. Bandas como Foo Fighters, Guns N’Roses, Greta Van Fleet, AC/DC e uma longa lista teriam sido diferentes sem essas oito canções.

  • The Rolling Stones, Sticky Fingers

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Foi o primeiro disco oficial de Mick Taylor como membro pleno dos Rolling Stones. No anterior, Let It Bleed, ele já participara de forma minuciosa, mas aqui sua guitarra se desdobra em sua melhor versão: virtuosa, mas com sentimento do blues. 

O disco tem o início perfeito para um álbum de rock and roll, Brown Sugar, que contém a melhor balada da história do grupo, Wild Horses, ou que contém uma canção tão maravilhosa como Dead Flowers

  • Marvin Gaye, What’s Going On
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    Nos anos 60, o cantor foi um talentoso cantor especializado em peças românticas de soul. Mas ele já tinha 30 anos e queria mudar. Passava por devaneios emocionais: Tammi Terrell, sua parceira em muitos sucessos, acabara de falecer; seu casamento estava desmoronando; o relacionamento com seu pai ( que sempre era explosivo) estava em um período deprimente, e seu irmão lhe escrevia cartas torturadas do Vietnã. Tudo isso foi o terreno fértil para What’s Going On.

    Em 2003, a revista Rolling Stone fez uma lista dos 500 melhores álbuns da história. What’s Going On‘ ficou em sexto lugar (o primeiro foi Sgt. Pepper ‘s Lonely Hearts Club Band, dos Beatles).

    No mês de setembro de 2020, a revista atualizou a lista e o clássico de Marvin Gaye subiu para a primeira posição. Esse fato retrata a grandeza de um álbum que não é afetado pela passagem do tempo; e mais que isso, torna-se ainda mais necessário. Porque fala de problemas tão atuais: as desigualdades sociais, a luta por um mundo mais ecológico, o problema das drogas, as guerras miseráveis e o desejo do ser humano de ver alguma luz em um mundo cheio de lacunas. Melodiosamente, Marvin canta de forma imaculada sobre camadas e camadas de instrumentação em uma obra vanguardista ainda 50 anos depois. Escutar o álbum ‘What’ s Going On’  é entrar em um mundo tão turbulento quanto belo. E cada vez que se ouve, é uma aventura.

  •  Roberto Carlos, Roberto Carlos
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    Sem título, o disco representativo que Roberto Carlos lançou no ano de 1971, marcou sua transição para um romantismo adulto. As festas de arromba e os carrões da Jovem Guarda estavam sendo deixadas para trás. Ainda haveria rescaldos de sua fase soul (Todos Estão Surdos, Como Dois e Dois e Eu Só Tenho um Caminho), mas foi aqui que começou seu reinado como maior cantor romântico do país.

    É um disco que abre com Detalhes, uma das canções mais ilustres da história da música popular brasileira, desde então, presença obrigatória em qualquer show do Rei. Composta em parceria com Erasmo Carlos, a composição é cantada por um sujeito muito seguro, que afirma com clareza que irá permanecer na memória de sua ex-companheira para sempre (“Detalhes tão pequenos de nós dois/ São coisas muito grandes pra esquecer/ E a toda hora vão estar presentes/ Você vai ver”).