Foto/Reprodução: Internet

Profissionais do setor de eventos começaram a discutir, ontem, as medidas de apoio ao setor de eventos no Ceará, uma das áreas mais afetadas com a pandemia do Covid-19.

Entre as medidas anunciadas, está a abertura de um edital para o pagamento de um auxílio financeiro no valor de mil reais. A quantia oferecida é para profissionais do ramo, como músicos, humoristas e integrantes de áreas técnicas.

Camilo enumerou, de acordo com levantamento feito pela equipe do Governo e sindicatos, que “aproximadamente 10 mil profissionais” do ramo serão beneficiados.

Para o músico Caike Falcão, o auxílio proposto é importante, porém chega de forma tardia e insuficiente.

“O problema não foi a última quinzena, mas o último ano completo. Nós, músicos, tivemos nossas atividades paradas em março. Só recebemos algum auxílio em dezembro. Desde o gradativo retorno, tivemos inúmeras restrições que afetaram diretamente nosso trabalho, e só agora, em fevereiro, o Governo estadual aparece com um auxílio de mil reais, dividido em duas parcelas. O governador sabe o valor de um aluguel? Sabe o valor de uma conta de luz? De uma feira?”, questionou o músico.

“Ficou muito aquém do que pleiteamos”, criticou Amaudson Ximenes, diretor presidente do Sindicato dos Músicos Profissionais no Estado do Ceará (Sindimuce). A medida é questionada pelo representante dos artistas que vivem da música. Um dos pontos discutidos pela classe, de acordo com o diretor, é a necessidade de iniciativas voltadas à contratação de “lives”. “O pessoal quer trabalhar”, diz Ximenes.

“Na realidade, esses mil reais foi um ‘cala boca'”, disse o diretor do Sindimuce, Daniel Domingues.

Músico e conhecedor das dificuldades que os artistas da área enfrentam, Domingues é incisivo e aponta que estes trabalhadores atravessam momento delicado. Afirma que os artistas não receberam nenhum tipo de apoio do Governo estadual durante 2020. “Estou revoltado”, reiterou.

Com atuação nas noites da capital, Caike Falcão argumenta que o Governo pode fazer mais. A sugestão é de auxílio com quatro parcelas de R$ 600, bem como isenção de IPVA e IPTU para todos os profissionais da cultura. Outra medida poderia ser a isenção de pagamento de água e luz aos artistas de baixa renda.

“Editais são importantes, mas ainda são excludentes. Apelamos para editais ainda mais simples e inclusivos”, finaliza o profissional.