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A Ford, fabricante de automóveis multinacional, concordou em suspender as demissões nas fábricas de Taubaté (SP) e Camaçari (BA) durante as negociações com os trabalhadores e conciliação na Justiça do Trabalho. As atividades da empresa deverão ser retomadas na próxima segunda-feira (22).

As audiências de conciliação foram promovidas nos tribunais regionais do Trabalho da 15ª, de São Paulo, e da 5ª Região, na Bahia. No acordo firmado com a Justiça do Trabalho na Bahia, ficou estabelecido um prazo de 90 dias para as negociações entre empregados e a empresa. Durante esse período, serão mantidos todos os salários e benefícios, além da retomada da produção.

A multinacional se comprometeu ainda, na audiência com o TRT-15, a assegurar diálogo semanal com os sindicatos que representam os trabalhadores. As negociações devem envolver a direção mundial da Ford, que tem autoridade para reverter a decisão do fechamento das fábricas no Brasil.

No dia 11 de janeiro, a montadora anunciou a decisão de fechar as fábricas no Brasil. Além dos complexos em Camaçari, na Bahia, e Taubaté, no interior paulista, até o fim do ano devem ser encerradas as atividades da Troller, em Horizonte, no Ceará.

A companhia mencionou os impactos da crise gerada pela pandemia do Covid-19, justificando a decisão de fechar suas unidades no país.

“A pandemia global da covid-19 ampliou os desafios do negócio, com persistente capacidade ociosa da indústria e redução das vendas na América do Sul, especialmente no Brasil”, diz nota divulgadada.

O plano da empresa é concentrar a produção de veículos na América do Sul nas fábricas da Argentina e do Uruguai. Serão mantidos, entretanto, a sede administrativa para a América do Sul em São Paulo, o Centro de Desenvolvimento de Produto, na Bahia, e o Campo de Provas, em Tatuí (SP).

Os impactos sociais do encerramento das atividades da Ford estão inseridos em três inquéritos civis abertos pelo Ministério Público do Trabalho.